Neurociência nas organizações

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Neurociência nas organizações

As descobertas da neurociência nos últimos anos vêm contribuindo muito (pelo menos conceitualmente) para o desenvolvimento de um ambiente corporativo mais saudável e mais propício ao aprendizado. No entanto, empresas de uma maneira geral, salvo algumas exceções,  vivenciam ambientes emocionalmente tóxicos.

De acordo com o Instituto Gallup, 87% dos empregados no mundo não estão motivados. Os problemas com Engajamento e Produtividade continuam na estaca zero ano a ano, conforme informações analíticas do Glassdoor. Já em 2017, a pesquisa da Delloite: Global Human Capital Trends demonstra que a habilidade das organizações para endereçar problemas de engajamento e cultura caiu 14%.

Apesar dos números não serem tão animadores,  há inúmeras oportunidades para líderes e profissionais de diversas áreas ajustar o foco para uma visão mais positiva e incorporar ações concretas que produzirão efeitos mais eficazes e duradouros.

Paul Zak em sua brilhante apresentação na ATD de 2018 em San Diego trouxe de forma acadêmica e cientifica um estudo que media a atividade cerebral das pessoas no trabalho e a importância da produção da ocitocina. Neste estudo demonstrou o quanto a construção de uma cultura de confiança traz uma diferença significativa em termos de resultados para a empresa e seus colaboradores.

De acordo com Paul Zak, as pessoas que trabalham em uma organização “bastante confiável” têm 74% menos problemas com estresse, 106% mais energia, são 50% mais produtivas, faltam por motivos de doença 13% menos, e contam com 76% mais conexões interpessoais e 29% mais satisfação pessoal em comparação com os que trabalham em empresa onde os níveis de confiança são baixos.

O cientista americano Paul Li,  professor de ciências cognitivas das universidades norte-americanas de Berkeley e Stanford, fala muito sobre a importância de exercitar o cérebro diariamente e o quanto o desafio intelectual tem um papel fundamental na aprendizagem e consequentemente na satisfação. Você só aprende quando lembra da informação e você recorda quando aprendeu o significado. Não tem remédio, então temos que preservar as recordações e estimular o cérebro. Toda vez que entramos em situações que exigem um pensar fora da caixa e um jeito novo de fazer as coisas estamos exercitando o cérebro e construindo novas conexões.

Henry e Stephens, em seu interessante tratado sobre sociobiologia, afirmam que alguns dos impulsos sociobiológicos centrais do cérebro humano são: o impulso para integração social e a conexão, necessidade de pertencimento.

Nos seres humanos, o impulso por afiliação/conexão pode se manifestar de diferentes maneiras como colaboração e confiança interpessoais, treinamentos, realizações coletivas, e até mesmo brincadeiras.

A criação de um senso de propósito maior estimula a produção de ocitocina. A confiança e a finalidade então reforçam-se mutuamente, fornecendo um mecanismo para a liberação prolongada de ocitocina, que produz a felicidade.

O mercado de ações gosta de situações previsíveis; o cérebro também. Uma das condições cognitivas mais tóxicas ocorre quando a realidade experimentada é incompatível com a esperada. Quando tal incompatibilidade acontece, aparece a dúvida, a ansiedade e a incapacidade de tomar decisões (paralisia cognitiva).

As organizações que fomentarem a criação de uma cultura de confiança e propósito, com uma liderança que faz o que fala, comunica com clareza, transparência e justiça, estimula desafios de aprendizagem constantes das pessoas e equipes terão grandes chances de produzir ocitocina ao invés de toxina. Simples assim.!!! E você, o que pensa sobre tudo isto?? Será que as lideranças de hoje fazem tudo isto???

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