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Qual é a sua história e como você aprendeu a aceitá-la?

17/02/2021

No filme os “Escritores da liberdade” a atriz branca, bonita, jovem e de uma classe social diferenciada vive uma professora idealista de uma escola pública no subúrbio nos USA onde adolescentes brancos, negros, hispânicos e asiáticos são obrigados a conviver no mesmo espaço. A história vivenciada pela maioria dos alunos é de extrema violência, drogas e pobreza. Não há como não chorar!! Como o sistema educacional do local é totalmente corrompido as crianças seguem seus destinos, certas de que não só não há como reescrever as suas histórias, mas também não existe qualquer sinal de esperança de um mundo melhor. Como ajudar jovens a reescrever as suas histórias se seus exemplos de vida são tão corrompidos? Quais repertórios poderão ser criados a partir de histórias de vida tão difíceis?

Os adolescentes só se libertaram das suas previsíveis histórias quando conhecem os detalhes do Holocausto e passam a entender que suas histórias têm mais igualdades do que diferenças e a partir de novas visões de mundo, eles poderiam fazer novas escolhas, em oposição às suas principais figuras de autoridade, seus pais.

Neste filme encantador, a professora procura ajudá-los a partir de suas próprias histórias e repertórios do lugar em que eles se encontram na vida e isto faz toda a diferença.

No filme “O perigo de uma única história” Chimamanda cresceu em um campus na Nigéria lendo livros infantis para crianças britânicas e americanas. Chimamanda era uma leitora e escritora precoce. Aos 7 anos quando começou a escrever seus livros conta que todos os seus personagens eram brancos de olhos azuis, comiam maças e brincavam na neve. Note que na Nigéria não tinha neve, nem maças e as crianças não eram brancas com olhos azuis. Chimamanda só se deu conta do quanto estava se apropriando de uma realidade que não era a sua quando começou a ler livros africanos e passou a entender que os livros poderiam contar coisas que faziam parte de sua realidade. Esta descoberta foi importante para que Chimamanda assumisse sua verdadeira história e se apropriasse de seu maior ativo. Isto mesmo, a história é o ativo mais poderoso do ser humano, algo que não se pode abrir mão.

Estes dois filmes, compostos por histórias reais, trazem três aprendizados: 1) precisamos nos apropriar e nos orgulhar de nossas próprias histórias 2) Precisamos ter cuidado ao interpretar as histórias alheias e 3) precisamos apoiar as outras pessoas nos seus processos de desenvolvimento partindo sempre de seus padrões de interlocução com o mundo.

Penso que todas nós mulheres, de alguma forma, temos um pouco de Chimamanda. Eu cresci em uma geração em que as bonecas eram sempre muito bonitas, magras e frágeis. A famosas “Susi” ou “Barbie”, bonecas famosas de minha geração me aprisionaram por algum tempo, sem nem eu mesma perceber. O meu ideal de vida e beleza era perfeito, tinha cabelos longos e vermelhos.

Por inúmeras razões as futuras gerações, caminham para uma jornada diferente. Muitos movimentos de diversidade e inclusão clamam por um mundo mais igualitário, onde as mulheres podem ser fortes, desbravadoras, podem errar e pedir desculpas. Para quem não conhece, a Plan International Brasil, reuniu escritoras e ilustradoras para recriar as histórias de Ariel, Bela Adormecida, Rapunzel e Cinderela com o objetivo de inspirar meninas a serem as heroínas de suas vidas.

Nessas versões modernas, as princesas não são nada indefesas. São heroínas fortes e corajosas que montam em seus cavalos, lutam contra bruxas e dragões e salvam príncipes, que também precisam de ajuda. A coleção “A Revolução das Princesas” é um projeto realizado em parceria com a agência Young & Rubicam e a renda obtida com a venda dos livros é totalmente revertida para o projeto Escola de Liderança Para Meninas, que acontece no Maranhão, no Piauí e em São Paulo. É possível contribuir com o projeto acessando: A Revolução das Princesas (arevolucaodasprincesas.com.br)

Por fim, é preciso reconhecer que não somos somente frutos de nossa formação e educação, somos agentes transformadores. Somos aquilo que estamos dispostos a aprender! 

Abraços,
Silvana Mello

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